A forte chuva da noite passada fez o favor de a derreter toda! E aqui entre nós, que nenhuma criança me estará a ler, ainda bem que ela derreteu...! Ufa...!
É que não gosto nada de ficar presa em casa. Pior ainda que isso, é ter de ir trabalhar às 9 horas da manhã a uma velocidade de 20 km/h. Mas devagar, devagarinho e a passo de tartaruga, com as luzes acesas, lá cheguei. De regresso a casa a estrada já estava em melhores condições. Mas o pior estaria para vir e o pior é mesmo o imenso frio que se faz sentir e que me deixam sem motivação para fazer nada!
Convenhamos que o Inverno é "chato p`ra caramba", vale-nos ao menos a quadra natalícia que se aproxima e que coloca no ar aquela magia especial que só agora a conseguimos sentir. A magia da paz, da solidariedade, da partilha, dos valores de família, enfim do Amor que nesta época parece fazer mais sentido do que em qualquer outra altura do ano. E a acompanhar isto tudo o frio também terá presença marcada, quanto mais não seja para parecer, ainda mais, Natal ou a tradicional fogueira do Galo não teria razão de existir.
«Não se contente somente com o perfume das flores. Plante as sementes e perfume um jardim.»
2009-12-17
2009-12-16
"Balada da neve"
"Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração."
"Augusto Gil, Luar de Janeiro"
Pois é e foi isso mesmo que aconteceu, a noite passada e durante a manhã de hoje. Agora.... a queda de neve deu lugar à chuva gelada.
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração."
"Augusto Gil, Luar de Janeiro"
Pois é e foi isso mesmo que aconteceu, a noite passada e durante a manhã de hoje. Agora.... a queda de neve deu lugar à chuva gelada.
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