2009-12-07

Excerto


"- Tenho sede desta água - disse o principezinho. Dá-me de beber...
  E então soube do que ele andava à procura.
  Levei-lhe o balde à boca e ele bebeu, de olhos fechados. Tão boa! Aquela água era muito mais do que um alimento. Nascera da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana, do esforço dos meus braços. Era boa para o coração, como uma prenda. O mesmo se passava quando eu era pequeno: as luzes da árvore, a música da Missa do Galo e a ternura dos sorrisos é que davam o brilho todo ao meu presente de Natal.
  - Os homens da tua terra são capazes de plantar cinco mil rosas no mesmo sítio... - disse o principezinho. - E, apesar de terem um jardim com muitas rosas, não descobrem aquilo de que andam à procura...
  - Pois não... - respondi eu.
  - E podiam descobrir aquilo de que andam à procura numa única rosa ou num único golo de água.
  - Pois era - respondi eu.
 O principezinho acrescentou:
  - Mas os olhos são cegos. Só se procura bem com o coração."

"O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry