2014-08-20

´O Verão`

«No Verão devíamos, não por imposição legal mas por serena disciplina interior, ser obrigados a perder-nos. A perder-nos no que nos rodeia. A mergulhar mais fundo em nós. No que está perto. No que está ao alcance de um toque, de um olhar, de um cheiro, de um sabor. O Verão devia chamar-se a estação dos perdidos e achados. Porque muitas vezes - tantas vezes - só perdendo nos encontramos. Como os tesouros que o mar perde para nós acharmos.»

                                                      O Verão in http://deixaentrarosol2.blogspot.pt/

2014-07-14

"Ser sensível neste mundo requer muita coragem. Muita. Todos os dias. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto, com toda a sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de u...ma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece assustar-se mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido."
__Ana Jácomo
 

2014-02-18

The National - Fireproof [lyrics]


Pensar

«Não julgues que estreitaremos laços por repetires a toda a hora penso exatamente como tu. A afinidade é uma coisa anterior e muito superior à consonância de opiniões. E, de resto, ninguém pensa exatamente como, porque ninguém vive exatamente como. Um pensamento é o produto de uma experiência digerida, não uma simpatia teórica.»

                                      Pensar in mãe preocupada.

2014-01-31

Pressa para quê?

"Perdemos muito tempo. Com coisas menores, com pressa. Pressa para quê?
A nossa vida é, na verdade, um micro mundo, onde os pontos cardeais são as pessoas que nos são importantes. Tentamos não ter de ter tantas saudades delas, quando não estão por perto, tentamos que elas sintam que gostamos mesmo delas, tentamos uma organização básica dos nossos dias, que faça com que as nossas rotinas nos criem uma zona de conforto. Que saibamos com quem contamos, que tenhamos horários padrão, que haja um fio condutor qualquer que faça com que não percamos o pé.
Que os nossos fracassos nos ajudem, nunca perdendo aquela força que vem da ideia de que o que não nos correu bem não nos pode parar e que há que aprender e tentar melhorar, com todo o empenho, sempre. E procurar ajuda, se for preciso. Acreditar nas pessoas e no seu gostar de nós. Exercer o nosso gostar das nossas pessoas, sem reservas é uma saudável tentativa de vida boa.
E quando nos fazem mal, quando somos injustiçados, mal tratados, quando abusam da nossa boa vontade, ou da nossa ingenuidade, é bom ter presente que toda a maldade é fútil. Até porque, um dia, morreremos. Não há volta a dar.
Se fosse hoje, ou amanhã, ou depois? Estaríamos plenamente satisfeitos com o ponto em que estávamos no nosso ultimo segundo? Ou diríamos: se eu soubesse..."

                                                          Pedro Ribeiro in Dias úteis.

2014-01-17

[Olá, bom dia]

"A Menina pôs a sua cabeça dentro do cálice da rosa e respirou longamente.
Depois levantou a cabeça e disse suspirando:
- É um perfume maravilhoso. No mar não há nenhum perfume assim. Mas estou tonta e um bocadinho triste. As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas.
- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.
- Mas o que é a saudade ? - perguntou a Menina do Mar.
- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora."

Sophia de Mello Breyner Andresen in "A menina do mar"