2011-03-24

cada um vê o que quer

cada um vê o que quer neste emaranhado de problemas que o nosso país enfrenta. mas ninguém vê, ou finge que não vê, o essencial, que é punir exemplarmente os corruptos que nos levam à bancarrota. e depois um PEC igual a este ou ainda mais gravoso torna-se inevitável, bem como a ajuda externa do FME e do FMI. provavelmente mais sacrifícios aos portugueses e um provável aumento do IVA. pois, o zé povinho que pague as favas, porque mexer na despesa corrente do estado é coisa que não pode ser feita, coitadinhos!

2011-03-22

conheci a palavra "pai" nos livros da escola. cruzei-me com ela sem saber muito bem o seu significado. "hoje é o dia do pai" dizia a professora primária, fosse lá o que isso fosse. "todos os meninos vão fazer um desenho e escrever uma frase ao lado para entregar ao pai. Martinha, tu e o teu irmão entregais o desenho à vossa mãe". o meu coração ficava apertadinho e quase a querer chorar. esta emoção não era porque alguma vez tivesse gostado do meu pai e agora estivesse com saudades dele. não. nesse dia sentia-me simplesmente diferente dos outros meninos. havia qualquer coisa que os outros tinham e eu não. a minha mãe soube cumprir a sua função de mãe como ninguém, porque nos finais dos anos 70 não era fácil ser-se separada. e juntamente com a minha avó soube preencher aquele espaço vazio. e eu que era uma menina super sensível, viva e a melhor aluna do meu ano, percebia que apesar de nada nos faltar e de termos muito amor, havia no interior da minha mãe uma luz que não brilhava completamente. a minha mãe era e é uma pessoa corajosa. nunca houve um único dia que  cruzasse os braços. trabalhou como ninguém para nos dar tudo, mesmo tudo a que os filhos tinham direito.

quando conheci o meu pai aos 8 anos de idade, percebi e senti imediatamente que ele era, só e apenas, o meu pai biológico. o facto de não ter tirado os óculos de sol quando me conheceu aos 8 anos, fizeram-me perceber e pressentir o que o futuro se iria encarregar de o comprovar. deu-me apenas dois beijinhos, mas faltou o abraço sentido e dizer-me que tinha sentido saudades e que gostava de mim, mas afinal não disse. e tudo aquilo que eu tinha desejado e imaginado que acontecesse nos dias que antecederam este primeiro encontro, caíram por terra.

a minha mãe e a minha querida avó encarregaram-se de nos dar, a mim e ao meu irmão, não um, nem dois, nem três abraços, mas um milhão deles. obrigado mãe e avó.
pelo meu pai não restou nenhum sentimento. nada.