2013-02-25

A minha opinião converge literalmente com a desta senhora

Sim, era por isto que eu era completamente viciada na Gabriela.
Sim, é por isto que eu não vejo telenovelas portuguesas.
 
 
«O impacto de uma protagonista feminina e livre de pudores sociais e morais foi tal, que antes da estreia deste remake ainda havia quem se lembrasse de certas falas. É certo que não é a mesma coisa do que ler um livro, mas também é certo que Jorge Amado nunca sonhou que a crítica à sua cidade natal fosse disseminada desta forma.
Seria bom que os guionistas e argumentistas portugueses enveredassem por este tipo de adaptação. Creio que daqui a pouco tempo esta será a única forma de dar a conhecer aos jovens determinadas obras. Que eu conheça, houve apenas uma adaptação de três obras de Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição, Mistérios de Lisboa e Livro Negro do Padre Dinis). A produção luso-brasileira passou na RTP e chamou-se Paixões Proibidas.
A naturalidade dos diálogos, que os portugueses não conseguem igualar, é fácil de perceber. Os autores brasileiros fazem uso de estereótipos e lugares-comuns, fazendo a sua crítica à sociedade e educando, alertando sempre para fenómenos como a gravidez na adolescência, as DST, a violência doméstica, a acessibilidade, a corrupção política, as drogas, etc.
Os autores portugueses imaginam um mundo de betos e tias, onde toda a gente se trata por você, com o qual ninguém se identifica, e sem qualquer conteúdo.
Em relação aos diálogos da Gabriela, retive este:
“- Olha, Nacib. Dou-te aquela estrela.
- Uma estrela?
- Uma estrela, Nacib. Aconteça o que acontecer, ela estará lá. Sempre. Quando olhares para ela, lembra-te de mim. Mesmo que esteja longe. A estrela é tua. O brilho da estrela é teu. É para sempre.”
Romântico, bonito e desprendido. Algo que se quer, nos dias que correm.»
 
Tirado daqui. Do blog Delito De Opinião.