2010-11-12

os anos finais da adolescência que passei no Porto (meados dos anos 80) estão carregados de muito auditório Carlos Alberto, muito, muito FITEI pelas várias salas de teatro, em vários pontos da cidade, muito Fantasporto, digamos que as cadernetas completas, muita ópera, muitas exposições, muito cinema projectado numa salinha muito pequena do final da rua do Rosário. Tudo isto porque tenho um familiar ligado às artes e à cultura, também escultor de figuras em madeira, também escritor, com pelo menos um livro já editado, mas muita folha escrita lá por casa, que não sei se um dia alguém irá ler. Um leitor, devorador de livros como ninguém, cuja casa reflectia bem a sua personalidade. Paredes preenchidas com estantes de livros até ao tecto, preenchiam-lhe o ego, e com muito orgulho exibia, a quem o visitasse, as mais recentes obras adquiridas. Um grande ouvinte de Jacques Brel, Sérgio Godinho e de outros músicos cujos nomes apagaram-se-me da memória. Confesso que na altura ía sempre um pouco contrariada a tanto cinema de Fellini e a tanto teatro e achava até, que ele era meio-louco, meio-cineasta,, meio-lunático, mas hoje tenho muito a agradecer-lhe por me ter sensibilizado para o mundo da cultura.
Pronto... estão explicadas as influências.

2010-11-11

"Se o presente fosse o nosso único bem, os nossos prazeres seriam bem mais limitados do que são. Somos felizes no momento presente, não apenas pelas nossas bem-aventuranças actuais, mas pelas nossas esperanças, pelas nossas reminiscências. O presente enriquece-se com o passado e o futuro. Quem trabalharia para os seus filhos, pela grandeza da sua casa, se não gozássemos o futuro?  Por mais que façamos, o amor-próprio é sempre o móbil mais ou menos oculto das nossas acções; é o vento que enche as velas, sem o qual o navio não avançaria."


                                                Madame Émilie du Châtelet
                              Discours sur le bonheur 
                                           séc. XVIII      

2010-11-10

Excerto do livro "no meio do nosso caminho" de Clara Pinto Correia

"O que sentem realmente os homens que nunca falam? O que é mesmo verdade nas conversas das mulheres, que já nem conseguem parar de falar? Para onde é que foi o mundo onde sonhámos que havíamos de estar a viver quando chegássemos a esta idade? Alguém terá, alguma vez, conseguido constituir um verdadeiro casal feliz, digno e sereno na sua aliança? Ainda sobrevive alguém que saiba mesmo o que é a tranquilidade?..."

Um livro bastante interessante que aborda os problemas das relações conjugais. A autora dá uma perspectiva, a perspectiva dela obviamente, do casamento como nós, mulheres, o idealizamos, como sendo uma utopia.

2010-11-08

e o meu carro avariou de vez. agora é que ele foi mesmo desta pra melhor. E regressou ao dono anterior. ele vai dar-lhe um xaropezinho p`rá tosse e vai voltar a vendê-lo. E que tenha uma longa vida pela frente. É o que eu lhe desejo. Comigo é que não. Temos pena! Já foste! Enquanto arranjo outro, e já temos um debaixo d`olho, não muito melhor que este, mas um bocadinho melhor, vá, mas num azul feio de burro a fugir, não muito caro, como convém, uma vez que o dinheiro não é coisa que abunde por estes lados, enquanto isso, dizia eu, vou andar à boleia. E é tão bom andar à boleia, com guarda-chuva e tudo,  e esta ventania desgraçada para ajudar à festa... hum... cheira-me que vou ter uma semana e pêras!!